sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Uma história emocionante demais.

          È uma história verídica narrada por John Pouule,S J,professor de teologia da Fé.
         

         Um dia,há muitos anos atrás,eu estava de pé na porta da sala,esperando meus alunos entrarem para nosso primeiro dia de aula do semestre.
         Foi aí que vi o Tom pela primeira vez.Não consegui evitar que meus olhos piscassem de espanto.    Ele estava penteando seus cabelos longos e muito louros,que batiam uns vinte centímetros abaixo dos ombros.eu nunca vira um rapaz com cabelos tão longos...Acho que a moda estava apenas começando nessa época.Mesmo sabendo que o que importava não é o que está fora,mas o que vai dentro da cabeça,e naquele dia fiquei um pouco chocado.Imediatamente classifiquei o Tom com um'e' de estranho...muito estranho
         Tom acabou se revelando o "ateísta de plantão"do meu curso de Teologia da Fè.
          Constantemente,fazia objeções ou questionava sobre a possibilidade de existir um Deus-Pai que nos amasse  incondicionalmente.
         Convivemos em relativa paz durante o semestre,embora eu tenha que admitir que às vezes ele era bastante incômodo!
          No fim do curso,ele se aproximou e me perguntou,com tom ligeiramente irônico:
          -O senhor acredita mesmo que eu possa encontrar Deus algum dia?
          Resolvi usar uma terapia de choque:
          -Não,eu não acredito,respondi.
          -Ah!Pensei que era este o produto que o senhor esteve tentando nos vender nos últimos meses.
          Eu deixei que ele se afastasse um pouco e falei bem alto:
          -Eu não acredito que você consiga encontrar Deus,mas tenho absoluta certeza de que Ele o encontrará um dia.  
          Ele deu de ombros e foi embora da minha sala e da minha vida.
          Algum tempo depois,soube que Tom tinha se formado e,em seguida,recebi uma notícia trista:Ele estava com câncer terminal,
          Antes que eu resolvesse se ia à sua procura,ele veio me ver.
          Quando entrou na minha sala,percebi que seu físico tinha sido devastado pela doença e que os cabelos longos não existiam mais,devido à quimioterapia.
          Entretanto,seus olhos estavam brilhantes e sua voz era firme,bem diferente daquele garoto que conheci.
          -Tom tenho pensado em você,ouvi dizer que está doente!
          -Ah,é verdade,estou seriamente doente,tenho câncer nos dois pulmões,é uma questão de semanas,agora.
          -Você consegue conversar bem a esse respeito?
          -Claro,o que o senhor gostaria de saber?  
          Como é ter apenas vinte e quatro anos e saber que está morrendo?Acho que poderia ser pior.
          -Como assim?
          -Bem,eu poderia ter 50 anos e não ter noção de ideais,ou ter 60 anos e pensar que bebida,mulheres e dinheiro são as coisas mais "importantes" da vida.
          Lembrei-me da classificação que atribui a ele:"E" de "estranho" (parece que as pessoas que recebem classificação desse tipo,são enviadas de volta por Deus para que eu possa repensar o assunto)
         -a razão pela qual eu realmente vim vê-lo foi a frase que o senhor me disse no último dia de aula .
         Tom continuou:
         -Eu lhe perguntei se o senhor acreditava que encontraria Deus algum dia,e o senhor disse:"mas Ele o encontrará"
         Eu pensei um bocado a respeito daquela frase,embora na época não estivesse muito interessado no assunto. Mas quando os médicos removeram um nódulo da minha virilha e me disseram que se tratava de um tumor maligno,comecei a pensar com mais seriedade sobre a ideia de procurar Deus.E quando a doença se espalhou por outros órgãos,eu comecei realmente a dar murros desesperados nas portas de bronze do paraíso.Mas Deus não apareceu.
        O senhor já tentou fazer alguma coisa por um longo periodo,sem sucesso?A  gente fica cansado,desanimado
        Um dia,ao invés de continuar atirando apelos por cima do muro alto atrás de onde Deus poderia estar...ou não,,,Eu desisti,simplesmente.Decidi que de fato não estava me importando...Com Deus,com uma possível vida eterna ou qualquer coisa parecida.E decidi utilizar o tempo que me restava faendo alguma coisa mais proveitosa.
         Pensei no senhor e nas suas aulas e me lembrei de uma coisa que o senhor havia dito noutra ocasião:
"A tristeza mais profunda,sem remédio,é passar pela vida sem amar.Mas é quase tão triste passar pela vida e deixar este mundo sem jamais ter dito às pessoas queridas o quanto quanto você as amou"
         Então resolvi começasse pela pessoa mais difícil:meu pai.
         Ele estava lendo o jornal quando me aproximei dele:
         -Papai...
         -Sim,o que é?
         Ele perguntou sem baixar o jornal.
         -Papai,eu gostaria de conversar com você.
         -Então fale.      
         -É um assunto muito importante!
         O jornal desceu alguns centímetros,vagarosamente.
         -O que é?
         -Papai,eu o amo muito.
         Só queria que você soubesse disso.
         O jornal escorregou para o chão e meu pai fez duas coisas que eu jamais havia visto:Ele chorou e me abraçou com força.Conversamos durante toda á noite,embora ele tivesse que ir trabalhar na manhã seguinte.Foi tão bom poder me sentar junto de meu pai,conversar,ver suas lágrimas,sentir seu abraço,ouví-lo dizer que também me amava...
        Foi uma emoção indescritível!
        Foi mais fácil com minha mãe e com meu irmão mais novo.Eles choraram também e nós abraçamos e falamos coisas realmente boas uns para os outros.Falamos sobre as coisas que tínhamos mantido em segredo por tantos anos,e que era rão bom partilhar.
       Só lamentei uma coisa que eu tivesse desperdiçado tanto tempo,me privado de momentos tão especiais.
       Naquela hora eu estava apenas começando a me abrir com as pessoas que amava.
       Parece que Deus não se deixa impressionar.Ele age a seu modo e a seu tempo.Mas o que importa pe que Ele estava lá.Ele me encontrou...(o senhor estava certo) Ele me encontrou mesmo depois de eu ter desistido de procurar por Ele.
       -Tom (eu disse,bastante comovido).O que você está dizendo é muito mais importante e muito mais universal do que você pode imaginar.Para mim,não é fazendo Dele um bem pessoal,uma solução para os nossos problemas ou um consolo em tempos difíceis,mas sim se tornando disponível para o ndo neleverdadeiro Amor.
        O apóstolo João disse isto:"Deus é amor e aquele que vive no Amor,vive com Deus e Deus vive com ele."
        -Tom,posso pedir-lhe um favor?Você sabe que me deu bastante trabalho quando foi meu aluno.Você ,agora, pode me compensar por aquilo.Você viria à minha aula de Teologia da Fé e contaria aos meus alunos o que você acabou de me contar?Se eu lhes contasse não seria a mesma coisa,não tocaria tão fundo neles!
       -Oh....Eu me preparei para vir ê-lo,mas não sei se estou preparado para enfrentar seus alunos.
       -Então pense nisto.Se você se sentir preparado,telefone para mim.
       Alguns dias mais tarde,Tom telefonou e disse que falaria com a minha turma.Ele queria fazer aquilo por Deus e por mm.
       Então marcamos uma data.
       O dia chegou...E ele não pode ir.Ele tina outro encontro muito mais importante do que aquele.Ele se foi...Tom havia dado o grande passo para a verdadeira realidade.Ele foi ao encontro de uma nova vida e de novos desafios.
       Antes dele morrer,ainda conversamos uma vez,
       -Ele disse,não vou ter condições de falar com sua turma.
       Respondi:
       -Eu sei,Tom.
       -O senhor falaria com todo mundo por mim?
       -Vou falar,Tom.Vou falar o melhor que puder.
       Portanto,a todos vocês que foram pacientes,lendo esta declaração de amor tão sincera,Obrigado.













   
     





















     










           






















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